As mesmas mãos cheias de violência,
Faziam com que meus seios parecerem menores,
Nunca antes tanta devoção sexual por essa parte do meu corpo.
Hoje andas por ai, sempre na reserva de vista dos meus olhos.
Fugazmente.
Promessa de sobremesa,
Mulher de palavras inteiras e pela metade.
E tem dias que sou pura saudade da tua risada,
Do teu calor e do teu cheiro.
Tem dias que me dou essa esperança remota de
Te falar. E depois de tudo seguir em paz.
11/06
Prece de espera
Tua boca me fala de todos os segredos do mundo.
Mas eu não quero ouvi-los.
Quero tocá-los enquanto são ditos.
Nada me importa mais
Do que tua presença em carne
A beliscar minha solitária paz.
Tenho teus toques, teus mapas, teus cheiros
Urrando dentro de cada casca,
Cada pedaço de pele.
Que tempo cruel.
Como cruel, são tantas coisas do mundo.
Sou tua miragem,
Perdida em devaneios,
Suplicante.
Calmamente afagada em toscas lembranças.
Foste tu homem de mil livros e outras mil ideias que
Vieste a mim com as mãos abertas,
O peito em polvorosa
E teso.
Foram tuas promessas, que encontraram minhas
Esperanças. E teu corpo pequeno e firme que me acolheu
Com tudo incluso angustias, manias, medos,
Amores, felicidades e desesperos.
Com casa, gato, cama e horários.
E de toda espera, criaremos outros mil mundos,
Com mil segredos, com outros mil livros e
Tantas outras ideias.
E com tantos passos, caminharemos cada qual com seus
Olhos e pés, mas por perto.
Já que não fomos feito para distância.
Mas eu não quero ouvi-los.
Quero tocá-los enquanto são ditos.
Nada me importa mais
Do que tua presença em carne
A beliscar minha solitária paz.
Tenho teus toques, teus mapas, teus cheiros
Urrando dentro de cada casca,
Cada pedaço de pele.
Que tempo cruel.
Como cruel, são tantas coisas do mundo.
Sou tua miragem,
Perdida em devaneios,
Suplicante.
Calmamente afagada em toscas lembranças.
Foste tu homem de mil livros e outras mil ideias que
Vieste a mim com as mãos abertas,
O peito em polvorosa
E teso.
Foram tuas promessas, que encontraram minhas
Esperanças. E teu corpo pequeno e firme que me acolheu
Com tudo incluso angustias, manias, medos,
Amores, felicidades e desesperos.
Com casa, gato, cama e horários.
E de toda espera, criaremos outros mil mundos,
Com mil segredos, com outros mil livros e
Tantas outras ideias.
E com tantos passos, caminharemos cada qual com seus
Olhos e pés, mas por perto.
Já que não fomos feito para distância.
Quando a gente dá para tecer canduras.
Nada. De novo?
Nada de novo?
Começa aqui tragédia cotidiana.
Vem aquela loucura febril,
De ser gente.
De gostar de gente,
De querer sentir o outro.
E a gente dá de tecer canduras.
Alimentando essa fé inabalável
Em outro mundo,
A gente vai lutando.
Pelejando para chegar no outro dia.
Nada de novo?
Começa aqui tragédia cotidiana.
Vem aquela loucura febril,
De ser gente.
De gostar de gente,
De querer sentir o outro.
E a gente dá de tecer canduras.
Alimentando essa fé inabalável
Em outro mundo,
A gente vai lutando.
Pelejando para chegar no outro dia.
A boca se cala em silêncio.
Tão longo quanto parece longa uma vida humana.
Tão longo quanto é o longo os primórdios do tempo.
Besteira menino, não faz joça.
Cola os ouvidos no canto da sala e espera.
Espera lá vem, essa fé inabalável de todos os dias.
E não falha.
Os olhos se fecham numa pintura eterna.
Como eternos são os astros.
E você estrela cadente da memória.
Sempre sozinha.
O corpo se cansa.
Em vão adormece mais uma noite.
Vai menino, pega de uma vez.
Engole, deglute, recebe.
Tão longo quanto parece longa uma vida humana.
Tão longo quanto é o longo os primórdios do tempo.
Besteira menino, não faz joça.
Cola os ouvidos no canto da sala e espera.
Espera lá vem, essa fé inabalável de todos os dias.
E não falha.
Os olhos se fecham numa pintura eterna.
Como eternos são os astros.
E você estrela cadente da memória.
Sempre sozinha.
O corpo se cansa.
Em vão adormece mais uma noite.
Vai menino, pega de uma vez.
Engole, deglute, recebe.
Do outro lado
Dinheiro, carreira, conformidade.
Aqui, utopias, lugares incomuns,
Sentimento de mundo drummondiano.
Ali há dois passos, um bom emprego,
Uma casa grande, um caro bonito...
Sentado bem perto de mim a minha velha companheira
Chama de indignação que esta de mão dadas com o
Impeto de sempre resistir.
Na margem oposta,
Esperam ansiosos, jocosos e
Com ar de vitória,
Aqueles que enchem a boca e dizem:
"Eu já fui jovem um dia."
Caminhando ao meu lado, alguns amigos
Que lutam para não atravessarem a ponte.
Alguns eu já perdi, alguns eu sei que ficarão
Sempre desse lado.
Desse lado, pés, passos, porteiras:
Poentes.
Aqui, se aconchegando em mim
Cada vez que chamo:
Luz para clarear.
Coragem para enfrentar.
E força para não desistir.
Dinheiro, carreira, conformidade.
Aqui, utopias, lugares incomuns,
Sentimento de mundo drummondiano.
Ali há dois passos, um bom emprego,
Uma casa grande, um caro bonito...
Sentado bem perto de mim a minha velha companheira
Chama de indignação que esta de mão dadas com o
Impeto de sempre resistir.
Na margem oposta,
Esperam ansiosos, jocosos e
Com ar de vitória,
Aqueles que enchem a boca e dizem:
"Eu já fui jovem um dia."
Caminhando ao meu lado, alguns amigos
Que lutam para não atravessarem a ponte.
Alguns eu já perdi, alguns eu sei que ficarão
Sempre desse lado.
Desse lado, pés, passos, porteiras:
Poentes.
Aqui, se aconchegando em mim
Cada vez que chamo:
Luz para clarear.
Coragem para enfrentar.
E força para não desistir.
Pedacinhos de gentes
Tem pedacinho da gente espalhado por ai. Eu poderia enumerá-los. Dizer os nomes. Mas isso não mudaria essa sensação do tempo passando apressado. Levando gente, trazendo gente para perto e depois de tudo, no fim da festa, que gostaríamos que nunca acabasse, levando embora de novo! Porque é no meio dessa festa quando estamos exalando amor, é que percebemos o quanto gostáriamos de que essas pessoas estivessem sempre por perto, mesmo que quebrássemos o pau vez ou outra. E que por alguns dias a gente escolhessemos sair com outros amigos ou ficar sozinha em casa mesmo, "só pra dar um tempo" e o tempo passa. E quando um olho pisca mais lento, poeira na estrada. Não acho ruim, já comi poeira de amigos, já fiz amigos comerem poeira, faz parte da coisa toda. Mas a saudade fica! Sempre fica! Mesmo daqueles que foram amigos e não serão mais ou mesmo daqueles que achamos que eram amigos, mas não eram. Que importa? O tempo vivido com autenticidade fica. Disse Thoureau: "Aquilo que é feito uma vez, está feito para sempre." Ou seja, você aí remoendo o passado: desencana está feito num tempo que nós não temos mais acesso. Acabou! É finito! Tem sempre o segundo de agora, para recomeçar, daí estará feito para todo sempre. Cara pálida, não vai ficar com medo de viver! Não, não! Vai se lambuza, cai de boa bem no meio daquele bolo de chocolate que sua avó preparou para você de aniversário. É um privilégio não ser por assim dizer "Walking Dead". Vai menino, vai menina! Vai brincar de roda enquanto é tempo. A gente cai mesmo. Dá de boca no chão, arranca a tampa do dedão, rala o joelho, é deixado de lado, os dentes de leite caem, outras partes do corpo mais para frente também caem. O vigor diminui, a gente trepa menos, come mais... A gente cria manias e depois fica irritados com elas... Eu sei parece horrível! Para a vida! Para eu vou descer aqui mesmo! Já! Mas, sabe de uma coisa, a gente encontra amigos, a gente encontra amores, a gente faz festa, fica bêbado, fuma um, a gente viaja e muda tanto por dentro, cria e destrói jardins! E tudo pode crescer e se expandir na mesma medida em que às vezes definha! E pode até ser que nada disso aconteça, que a vida seja diferente! Não importa, melhor que ficar pelos cantos, criando monstrinhos, alimentando mediocridades, consumindo até o cu do coelho de pascoa, pregando Jesus na cruz e fazendo esse monde de besteiras que muitas vezes nos dizem que é o correto. Em linha reta para o nada, para uma festa sem fim, só cheia de ressecas que no final nos absorverá sem que tenhamos tido o tempo ou a audácia de viver! Saí dessa velhinho! Vai para o mundo, que o mundo vem pra você. São tempo difíceis, ardilosos. Esqueça, estamos neles e como disse um sábio, muito amigo, que já passou várias noites comigo e vários dias: "Não nos é dado escolher o tempo em que vivemos, mas podemos escolher o que fazer com o tempo que nos é dado!"(1)
(1): Ganfalf no Senhor dos Anéis I, quando Frodo entra em desespero ao saber que o seu anel é o UM.
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