Ela:
Caramelo doce, escondida.
Não dá!
Depois sair, sorrir.
Um dia?
Um dia uma casa gigante?
Um dia mídia na TV da sala?

Daí, depois de tudo, olhando as criança,
Nem tão crianças assim pensar:
Eu já fui jovem um dia.

We dreamt.

Os mesmos velhos sonhos.
E observando-os quando tiverem indo
Para a universidade:

They will be dreaming soon.

Ao pé da lareira aquela mesmérica sina,
Tomando forma e se ouvindo:

One day you will be exactly like me.

Tangerinas Doces

Acho que  o alaranjado,
Fica bem nas coisas vivas e
Por determinação biológica laranjas.

O incrível é que o laranja é copiavél em pigmentos
Muito facilmente. Mas laranja mesmo só se forem,
Laranjas, carpas, tangerinas, uvais,
Flores variadas...

A espreita

Pesadelos na tarde ensolarada vem e vão.
Os passos cegos seguindo. A bengala tec, tec, tec, etecetera.
Os ouvidos são sons, passos, pessoas, carros, cachorros...

Uma matilha vem em minha direção
São seis ou sete.
Comandados por um preto, barriga amarela,
Macho, latindo...
Encara-me latindo,
Eu continuo meu passo leve mente apressado.
Ele vem até os outros os cerca e latindo os faz descer
Um pouco na calçada protegendo-os de mim.
Seus dentes nunca quiseram me pegar.

E do seu comando asfaltico e retumbante surgem mais
Dois, grandes, maiores que ele,
Indo ao seu encontro para serem liderados.

De olhos fechados, escondidos pelo óculos escuros
Completamente desprovidos da visão,
Os pés prosseguem.
Atordoados.

Tristes aqueles que sofrem

As sobras de comida no tapete
São de jantares passados:
Não realizados.

Foi-se o tempo das coisas boas
Dizia minha avó olhando aflita o mundo dela mudar:
Não chover em setembro,
Fazer frio em janeiro,
Chover demais em julho,
Sexo sem casamento
E por incrível que pareça dar beijo na boca.
Tudo vem cedo ou tarde, tudo vem.
Feito trovão depois do relâmpago,
E sede depois do sol.

Intervalo externo um dia e uma noite.
Sucessivos.


  

Uma outra prece ao tempo

Agradeço ao tempo.
Pelos caminhos cordialmente trazidos aos meus pés,
Talvez, seja enganoso pensar em suavidade:
Foi tua boca que me disse sussurrante que eras leve e inelutável.

Peço que seja curto em lonjuras,
Extenso em paragens,
Amável com os que tem estradas dentro de si.

Peço ao tempo que me seja sábio, que se consuma
Unido a mim, colado a minha pele e que
Ao final carregue consigo memórias dos dias
Em que estive em sua presença.

Cais: Manifesto Sobre as Horas

Tantos homens e mulheres
Calam-se na memória que nos açoita:
De ressentimentos e ressacas.

Nessas horas pressentimentos de cotidianos
Desabitados de lemes.
Nem faca sem gumes, nem histórias sem
Fim.

Há nesses dias portos sem fim.
Chegam abruptos e vão-se com
Melancolia facultada em devir.

Nos meses há espelhos narcísicos,
Levianamente passadiços.
Sempre ausentes de encantos tais.

Nos anos rostos (in)timidados
Repletos de temores assegurados
Em seguradora.
Estão salvos.
Condenados ao tempo diluído,
Diluível em idiossincrasias insolúveis.