Dos dias em que o amor se extende.

Calo-me, pois há no mundo essa cor que me engole por dentro.
De você quero tudo. E posso não ter nada se assim quiseres.
Dou-te minha mão, meus pés e todo amor que eu tiver,
Sempre novo. Sempre teu.

Espero-te toda volta.
Não quero te ver partir, mas vejo.
Já que é assim que nossos pés se desenham.
Desenha-me?

Há noites que te tateio no escuro.
Há manhãs que quase sufoco.
Há dias que espero pela batida no portão
Cada segundo. Mesmo que eu saiba, eu espero.

Tudo faz sentido contigo.
Bote de templos. Não
Ouço as vozes que interpelam:
Ludicamente. Você me transporta.
Inverossímel na passagem que trago.
Solucionada de muralhas e
Seguranças vãs. É um novo lugar de compartir.
Intrusa. Intrometida de minhas
Ancoras, portas e janelas.
Noutras paragens, são redescobertas minhas trilhas.
09/09/2011

Terra Arrasada

Tem dias que eu acordo e me vem aquela música na cabeça. Eu ouvi com o Chico, não sei quem escreveu, começa assim: "Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu. A gente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu." E daí está feito. É esse sentimento de mundo, de carregar a dor do mundo. Há quem diga que é simples dizer isso, sentada na minha casa confortável, no meu notebook e alimentada. Podem dizer, não nego a minha condição de classe, nem pretendo, calma não pretendo negar  no sentido de que sim minha família hoje é classe média. Não do lado do meu pai, que no entendimento médio, não tem onde cair morto. Tem sua riqueza e sua crueldade viver ainda num lugar que não tem internet, em que se depende da "vontade da natureza" para que as coisas nasçam, que se coma no café da manhã, quando não tem pão, café com farinha, farinha de milho, porque sustenta, que ainda se vá de cavalo levar gado para outros lugares, enfim uma mistura de séc. passado com uma modernidade capciosa, malvada, cruel (por escolha!) que expulsa os jovens do lugar sem se darem conta de quem são e os jogam na avalanche das cidades. A televisão lhes vendeu com muito sucesso o mito to trabalho honesto para enriquecer. E se vão em avalanches... Talvez imaginando "A gente quer ter voz ativa e do nosso destino cuidar..." esquecendo-se do "mais eis que chega roda viva e leva o destino pra lá."
Sem melindros, não estou reclamando, só constatando. Sou do grupo dos que  tem mais sensibilidade do que é confortável, um dom amaldicioado pela modernidade. Perdi o fio da meada, mas fica ai. Para concluir: "Em tempo de terra arrasada, por mais absurdo que possa parecer, às vezes é preciso que uma andorinha faça verão."

Cem voltas

Rodeia-me na cama,
De uma lado pro outro.
E depois partes.

Cem vezes volta.
Mil vezes vai.
Sentido o peito em suspenso.

Pode água doce

Ainda nesse incontido ir e vir,
Nessas paragens de ser estrada,
Não digo que te amarei em todo instante, 
E sim que te amarei sempre com  lealdade.

Se pergunta quem sou e te desse respostas,
Ficaria no tempo continuamente pairando
A dúvida.

Sou passarinho,
Cavalo indomável,
Que se oferece voluntariosamente
Por amor.

Sou de ventanias e águas imensuráveis,
Sou de casa e hortas,
Sou de caminhos longos e batalhas invencíveis.
Sou tua.
Sou o mundo que cabe e o que esta fora, afeita aos
Traços de tuas mãos;
Aos teus desenhos que tenho pelo meu corpo.

Dias de estranhamento

Daí vem aquela velha história intragável.
Que não dá pra beber entre um copo e outro.
Não bebemos.
E por isso somos rejeitados.

Não me nomeie nessa condição.
Nunca.
Ela que me foi dada.
Porque meus inimigos precisam
De mártires.
Às vezes é difícil descrever a felicidade que sinto.
Mas eu tento.
Porque o amor implode em imagens
Intempestivo de tantos desejos, memórias e
Essa paz de se saber amando, amada.

Algumas vezes é quase impossivel dizer o que há
Por dentro.
Mas mesmo assim eu tento
Pelo meu nome
Na tua boca.
Eu tento.