Novidade

Novidade que se repete
Derepente.
Astromomia de conjunções.
Nostalgia.
Encruzilhada.
O incerto novo
Ou
O antigo tão certo de tantas
Dúvidas e medos?

Eles

Todos à minha volta
Sorriem.
Numa espécie de música
Que tem final
No final.
E nunca no meio.
Eles não sabem quando
Nem como.
Mas se alimentam.
Do veneno sagrado.
Mudar de ventos e rumos.
Seguindo.
Saudades
Do tempo em que noites eram
Só dias sem fim.
E as madrugadas
Não guardavam sussuros tristes ou felizes
Daqueles que estão.
Mira A. Diniz
29/03/10

Agora

Tempo feito
Chuva molha todas
As minhas memórias.
De olhares passos e
Qualquer coisa que me foje.
Um dia a gente chega no outro
Se desfaz
Refaz.
Voa e segue.
Sem nó.
Pra todo.
Mira A. Diniz
08/02/10

Teu

Somos mesmo tão diferentes?
Tu e eu?
Nascemos em campos
De batalhas e flores.
Tu és fonte de mel.
Eu de cores.
Melhor se as cores fossem doces
E o mel multicor.
A direção nos dá o raiar do dia
Caminhamos e em paz nos mantemos.
Trilhas e estradas.
Pés e estadas.
Surpresa ver.
Que iguais são diversos,
Olhando em espelhos.
Mira A. Diniz
15/01/10

Passagem

O vento feito em tempo
Passou por mim.
Ou foi o contrário?
Foi o tempo feito em vento
Que ventou?
A água brota em tudo que vive
Até o dia em que morre.
Ouve:
Minha flor me afoga e
O peito comprimido
É remédio para o tédio.
Tudo é névoa imaginativa
Escorregadia sem direção.
Sombrio como olhos bocas
E mão.
Teu copo, meu peito,
Nó no pescoço.
Agora em vão.
Mira A. Diniz
14/01/10

Flor de maracujá


Já não me pertence a flor
De maracujá.
Cutiveia desde o princípio,
Com tudo que me vinha à mão.
Tesão e suscos.
Saliva e lábios.
Heroina e pele.
Cheiro e você.
Droga das noites, sonhos.
Nunca sonhei muito com  flores.
Preferia tê-las na mão com desejos
E fugas ao alcanse.
Tempo que trás tempo que leva.
Estrada a fora.
Você na minha memória,
E só.
Peito aberto.
E lá no horizonte
Pergunta que  minha boca sua não se atreve a fazer.
Atrevimento que antecede a queda
Que sempre vem antes de você.
Tudo a mesa.
Você passa também, junto com o tempo
E com os outros.
No lugar que te pertence
Fica o pé quase florescendo.
23/12/09
Mira A. Diniz
Não há ingenuidade no que
Eu me deito
Agora.
Uma batalha.
Manter os olhos no horizonte.
Riso, noites,
Busca.
Fases.
Frases, obcenas no escuro do quarto.
Umidade, secura, tudo no peito.
E o peito aberto.
E todo esse tempo
Corda bamba,
Bailarina,
Poetiza,
Passarinho.
E,
Pesticida.
Fruto verde.
Suco azedo.
E o tempo.
Corre.
Eu chamas,
Secando tudo.
Maldição.
Benção
Peito aberto.
Portas fechadas.
Mira A. Diniz
22/12/09