Crueldade

Duvida cruel:
Nos construímos
Ou
Nos construíram?
Ou nada disso?
Sou meio torta,
Um pouco fora de rota.
Estrondosa como baterias
Ora desafinada, ora afinada.
Sou de sinfonias,
Toco piano.
Carrego piano
E sei reger orquestra.
Mas não me importo,
Não sou mais nem menos
Valorosa perante o mundo.
Sou de cavernas e
Labirinto interno. Escadas e
Portas. Quatro dimensões ou
Mais por dentro.

Só quero agora,
Separar os caminhos,
Traçar rotas de fuga,
Caminhar ao lado
Numa madrugada fresca
E longa, longinqua.

Das Vozes e dos tempos

Vozes me chegam
Há muito a ser feito,
Pouco tempo para tão pouco.

Elas me falam das desilusões,
Dos percauços,
Das dificuldades de ser mundo no ser humano.

Peço que se acalmem,
Carregamos: seres de cargas que somos,
Co-carregamos: seres de outros que tentamos construir.

Corremos feito corregos que acabaram de nascer e descem
Encostas com a pressa que só as crianças sabem ter.

Pois, digo aqueles que me sabem e se cabem:
Que depois de uma tempestade cuidem para que
Venha a calmaria,
Que ao descer ladeiras
Pressintam a queda e escolham
Com ciencia se querem cair ou não.
Que ao subir escadas
Conheçam pacientemente todos os degraus
Para uma descida melhor e um caminho
Mais real.
Que ao falarem do outro,
Incluam em sua boca e mente,
Metade de você...



Dentro e fora

Hoje, choveu em mim...
Por fora e por dentro.

Fez-me toda sensações
E me parece cada vez mais que estou
Rompendo-me por dentro.

Minhas represas rangem,
Sinto que logo serei uma inundação
Enchendo os espaços,
Lavando os pesadelos,
E depois escoando lentamente,
Deixando a terras internas
Prontas para um novo florescer.

Amanhã,
Sinto que haverá primavera,
Por dentro e por fora.

A quem procura a garantia


Quem garante que a
Linha do horizonte segrega
O mar do céu?
A infinidade azul se
Funde na luz que procura dentro de nós
Assegurar os pés para a frente.
Como os países que são separados pela imaginação.
O que é certo quem pode garantir?
Humanamente o capital
Pede seguro, um seguro.
Do homem até mesmo
O sentimento oscila.
A certeza de quem consente
Caminhando mesmo sem conhecer para onde.
E abre as verdades com passos
E planta para outros que talvez virão...
É certo, é paradoxalmente certo
Que as estrelas hão de morrer.
O segredo do que se expande
É que a morte é a semente.
Mira A. Diniz

20/07/07

Angu, Tia! Angu.

E agora? Que faço eu...
É entrei na porta errada,
A casa não era minha.
Estou presa.
Com pressa e fome de
Luz. Estou triste.

E o peito se desfaz em
Temores vãos...

E agora, tia?
Vai me servir angu?

Poema de uma linha só


Penso que o maior desafio da humanidade é agir como fala, falar como pensa e pensar como age.