Subir?

Olá viajante,
Como anda as coisas por aí do outro lado do mundo,
À 7 histórias do centro do mundo?
Saudades, pedi pra que os caminhos se cruzem.
Há tempos não te pergunto resolvi perguntar hoje,
Quando vai subir?
Onde você está?
Que anda fazendo?
Qual é o seu gosto?
A cor dos olhos é a mesma?
E o cheiro da pele?
E os passos?
As dúvidas?
Me Conta?
Eu ando lutando as batalhas que se apresentam na vida,
Criando cores, vivendo dores, amando sem poder
E ao mesmo tempo com a eterna saudade de você,
Com a eterna pergunta,
E o seu poema na gaveta.
Te escrevo cartas e mais cartas
Mentais.
Depois apago e
Me resigno na memória e no passar do tempo.
Na espera de quem vive sem nunca esperar,
E por fim se cala e
Se entrega de peito aberto
Ao mundo que me cabe
Ao suor que me cabe
A quem me cabe.
E você está sempre longe perto.
Na fumaça escorregadia de tempos passados e futuros.
E no presente te carrego: um segredo na noite
Compartilhado sempre a boca pequena.

Mira A. Diniz

Olha as Horas

Mais um dia,
Que seria enfadonho e claustrofóbico
Como todos os dias em que
Nos apersebemos de nossa existência mesquinha
Juntos mas separados da historia de tantos
Surdos e Mudos e de outros
Um pouco mais atententos que
Se perguntam e perguntam aos outros:
Pra onde estamos indo?
O despertador toca pra tudo!
Pra acordar, pra compromissos, pra
Olhar na agenda que divide os dias e noites em
Horas,
Todos com os relógios sincronizados?
Prontos, inicia-se a corrida moderna
E irreal?
Como essa linguagem que não nos diz sobre o outro mas
Que serve pro prático instante em que
Tentamos em vão achar o outro
Os outros, atras de nosso sentimentos
De nossos espelhos sobre o mundo.
Inquietação mas é mais que isso!
É
Maria Bethania profetizando novos mundo
Sartre com a nossa liberdade
José Celso com Baco Dionisio vinho e sexo não
Automático, não vendido.
É.
Picasso e sua Guernica,
Se me permitirem é
Antonio Machado acreditando em
Outro Direito.
É o filosofo campones
Plantando comida que ninguém quer comer
Se for não enlatada.
É

Mira A. Diniz
16/02/2011

Tempos

De outros tempos e
Para outros tempos
Ela veio sem chão meio flutuante.
Leve feito casca de árvore rescem
Nascida que se enraiza na
Passagem de tempo nesse
Instante louco.
Rouco.
Calem poesias
E poemas que sem
Rimas, ritmaram.
Relógios e mordaças
Estacam.
Um conto,
Aumenta um ponto
A espreita de um
Limiar.
Um bote.
Motim, eu,
Elas.
Mira A Diniz

Inverno

Tem dias que se calam.
E outros tantos tagarelas,
Que deixam zonzo o
Som de tanto correr de um
Para outro.
Os gatos e cachorros latem
E miam pedindo leite
Com biscoitos.
Nas noites é a memória que pega no sono.
E de dia o vento seco se
Lembra que o inverno está por perto
Nos rondando como um felino
No bote.
Na disso tem importancia.
Humanamente sentimentos
Continuam os mesmo só que
Mais tímidos.

Mira A. Diniz
24/07/10

Ela


Mexida de meses,
Abril, maio, junho.
Remava com a clareza estúpida
Irreversível.
Agora, não sabe mais o que contem
Naquele fraco de perfume que continha a memória dela.
Ah, o dia clareando calava uma canção que
Ficava insistentemente soando baixinho no canto do ouvido.
Estava tanto a tanto tempo que nunca tinha estado.
Ria, palida e pequena.
Ria roxa e enorme de si e do mundo.
Enquanto passava.
Ignóbil.
Radiante, errante e tão certa de si e,
Ainda assim mais menina e tão mulher.
27/06/2010
Mira A.Diniz

Olho



Fica sentada no
Olho do furacão menina.
Lá tudo pode.
Lá tudo é poesia.
Lá o tempo cala
Lá as noites são infindas.
Do lado de cá,
Tens casa, pai e mãe
Lá, tua morada
Estada.
Estrada.

Fica menina, sentada do olho do
Furacão.
Lá um dia,
No teu dia.
Tudo há de ser claro
Como o caos que te rodeia,
Terás naquele lugar teu lugar
De querer.
Mira A. Diniz
24/05/2010

Fileiras

Enfileirados, todos iguais
E tão diversos em movimentos internos.
Discretos e com as mãos
Em faces e joelhos.
Deitados, caíram na linha
De batalha
Por onde se consegue os
Corações alheios cheios de tanto
Que é, senão, dores ou amores
Identificados
E tão diferentes.
Calem-se.
Crianças dormem.
Mulheres choram.
Homens sofrem.
Já partiram.
Mesmo que nem saibam,
Sequer se vieram, um dia
Para este lado de cá.
Mira A. Diniz